
O último dia em Londres chegou, enfim, trazendo consigo um sentimento de saudade e uma sensação de que havia ainda muito para ver. Tendo em conta que só nos iriam buscar por volta do meio-dia, ainda tínhamos uma manhã por nossa conta para ver um último local de interesse. Que escolher?

A Torre de Londres estava fora de questão porque só abria às 10h e a sua visita, segundo o
site, demoraria entre uma hora e hora e meia, em média. O British Museum estava demasiado afastado. O centro de Londres, aquela zona das grandes lojas e armazéns, também implicava longos minutos de caminho no
tube. Tendo em conta que as sardinhas da véspera não tinham assentado muito bem à minha mãe, propus uma ida ao Tate Modern, uma galeria de arte moderna situada entre os bairros de Southwark e Lambeth, com uma privilegiada localização junto ao rio e que, segundo as placas de indicação, estaria a menos de um quarto de hora a pé. Além do mais, era uma opção gratuita!

Acontece que as distâncias devem ter sido medidas por uma pessoa de passo lépido, pois demorámos quase meia-hora a alcançar o Tate Modern. Felizmente foi um passeio muito agradável, com o rio (quase) sempre a nosso lado. Pelo caminho, a Catedral de S. Paulo, várias pontes sobre o Tamisa - incluindo a famosa ponte pedonal Millennium Bridge, onde se encontravam dezenas de pessoas e muitas câmaras, e sobre a qual pairava um helicóptero, num grande aparato para a gravação de um filme - e o teatro Shakespeare's Globe foram sendo descortinados.
Em relação ao Tate Modern, recordo-me: da sua arquitectura sóbria (eu diria mesmo feia); de uma gigantesca racha no piso térreo (uma suposta obra de arte de uma artista colombiana); de uma sala dedicada ao realismo onde pontificavam belos quadros de Chagall, Meredith Frampton e outros; de um enorme salão com quadros surrealistas e pós-surrealistas, onde se destacavam as obras de Miró (artista que abomino completamente), Picasso (que também não aprecio muito) e um ou outro quadro que me chamou a atenção, nomeadamente um de Masson, um de Edward Wadsworth e outro de Paul Nash.

Infelizmente, a minha mãe sentiu-se indisposta, pelo que tivemos que interromper a visita e regressar, em passo rápido, ao hotel. Lá em baixo, o motorista aguardava-nos num luxuoso BMW. Fizemo-lo esperar, já que a minha mãe tardava em se recompor. Felizmente tudo correu pelo melhor e lá nos pusemos a andar em direcção ao aeroporto. Pelo caminho, houve tempo para reparar numa curiosa estrutura na margem sul do Tamisa, de frente para o Battersea Park, que não tardei em identificar como a fábrica abandonada que aparece na capa do álbum Animals, dos Pink Floyd. Descobri mais tarde que se trata da Battersea Factory, um edifício há muito abandonado.
E assim terminou uma fantástica viagem por Londres. Por culpa da sua orografia (quase completamente plana) e das reconstruções levadas a cabo após a 2ª Guerra Mundial, não é uma cidade muito pitoresca como, por exemplo, a nossa Lisboa. No entanto, é uma cidade que fervilha com vida, onde há muito para ver e para viver. Gostaria de regressar um dia, pois houve várias coisas que ficaram por fazer:
1 - Uma visita à Torre de Londres
2 - Uma visita ao British Museum (gratuito e, segundo me disseram, fantástico)
3 - Uma visita a Greenwich
4 - Um passeio na zona do Soho, das ruas comerciais e dos grandes armazéns (Harrod's, Selfridges,...)
5 - Um passeio num dos grandes jardins (Hyde Park, St James's, Park)
6 - Ver o musical dos Queen no Dominion Theatre
7 - Passar uma noite num pub ou noutro espaço nocturno tranquilo e típico
8 - Equacionar uma visita ao Madame Tussaud's
9 - Com sorte, ver um render da guarda no Buckingham Palace
10 - Com sorte, assistir a um jogo de futebol da Premiership.
É um destino interessante... Quem sabe a repetir, daqui a uns anos!
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