terça-feira, março 31, 2009

Londres 2008 - 1º dia

Nunca tinha feito uma viagem de avião. Não porque tivesse medo ou porque nunca dispusesse de tempo para tal, mas sim porque o vil metal a que corriqueiramente chamamos "dinheiro" nunca permitiu que eu embarcasse em tais veleidades.


Como tal, não enjeitei a possibilidade de participar num concurso à minha medida, que consistia em escrever um final alternativo para o filme "300" num máximo de duzentas e cinquenta palavras. O prémio era uma viagem a Londres para duas pessoas (incluindo transporte de e para o aeroporto e alojamento com pequeno-almoço no Hilton, no bairro de Southwark) e a possibilidade de participar num mini-evento num estúdio de televisão, em que a tecnologia green screen iria ser utilizada de forma a simular um combate entre mim e um guerreiro espartano. No final, teria direito a um DVD com as imagens desse épico combate. Nice!


Tive a felicidade de ganhar o prémio. Fiquei a saber que iria a Londres em Março de 2008. Chegaria à capital inglesa ao início da tarde de sexta-feira. A manhã de sábado seria dedicada à actividade no estúdio, ficando a tarde desse dia e a manhã de domingo por nossa conta. A minha mãe acompanhou-me nesta viagem.


À chegada, uma surpresa - o famoso clima londrino concedera-nos uma trégua, trazendo-nos sol e uma amena temperatura na casa dos doze graus. No aeroporto, não deixámos de reparar num enorme aparato policial: viam-se polícias das forças especiais a fazer rondas, de metralhadora na mão, em vários recantos do edifício, bem como na rua!


Fomos recebidos por um motorista impecavelmente vestido, que nos conduziu num Mercedes da classe C até ao nosso destino. Pelo caminho, aproveitámos para observar e fotografar alguns dos monumentos e locais mais emblemáticos como o Museu de História Natural, o Hyde Park e o Wellington Arch, o Palácio de Buckingham (que não voltaríamos a visitar, já que o considerámos demasiado austero), St. James' Park, o Big Ben e as Casas do Parlamento, o Tamisa, a London Eye, entre outros.


Não tardou muito até chegarmos ao hotel, um prédio recente e luxuoso localizado na margem sul do Tamisa, pertinho da Câmara Municipal e da Tower Bridge, numa área de modernos edifícios em que o vidro dominava, em contraste com a tijoleira que é característica de grande parte das construções da Londres típica.


Achámos por bem deixar a viagem aos principais monumentos e locais para a tarde seguinte, já que não compensava comprar bilhetes de transportes para esse dia - além de caros, já não havia assim tantas horas de sol para aproveitarmos...


Fomos então explorar a nossa zona. Depois de deitarmos um olho ao belo edifício da Câmara Municipal, encaminhámo-nos na direcção oposta. A minha mãe tinha reparado num mercado curioso durante a viagem de automóvel que havíamos acabado de fazer. Descobrimos que se tratava do Borough Market, um dos mais típicos e antigos mercados do Reino Unido, onde se pode encontrar de tudo à venda, desde os mais requintados chocolates belgas até aos peixes mais estranhos, passando por uma enorme variedade de carnes, enchidos, bolos (até pastéis de nata!) e coisas realmente insólitas, de aspecto duvidoso e nome impronunciável. A sua localização, debaixo de um viaduto de comboio, espalhando-se por cantos obscuros e labirínticos, contribui também para o seu enorme charme e para aquela ambiência castiça. Deu gosto perder perto de uma hora no mercado!


Mas como o dia estava bonito, continuámos o passeio por essa zona. Visitámos a pequena e bonita Catedral de Southwark e encaminhámo-nos para o rio, onde encontrámos a réplica do Golden Hinde, o colorido galeão que Sir Francis Drake utilizou na sua viagem de circumnavegação entre 1577 e 1580. Pudemos também observar, do outro lado do rio, a imponente cúpula da Catedral de St. James, bem como alguns arranha-céus do distrito financeiro, incluindo o famoso "pepino", que se destacavam dos restantes edifícios.


Como já não havia muito mais tempo de sol pela frente, fiz a sugestão de atravessar o rio pela London Bridge. Dessa forma, poderíamos obter uma boa panorâmica para a belíssima Tower Bridge e aceder a um percurso pedestre junto ao Tamisa onde até se encontravam algumas geocaches!


Das duas caches que tentámos encontrar, só lográmos deitar a mão à que se escondia perto da igreja de St Magnus the Martyr. Entretanto começou a escurecer, pelo que decidimos regressar ao hotel, até porque o passeio pedestre se revelou pouco interessante, já que não dispunha de quaisquer árvores ou espaços de ócio - apenas cimento, betão e alguns transeuntes de aspecto duvidoso a passar de um lado para o outro.


Jantámos no McDonalds mais próximo, ao pé do Guy's Hospital. Foi a primeira má experiência com a péssima restauração que é característica de Londres. Não consigo compreender como é que uma nação com séculos de história foi incapaz de desenvolver uma gastronomia própria, tendo-se visto forçada a adoptar as gastronomias de todos os povos que acolheu ao longo dos anos - o que, tendo em consideração o facto de ser a cidade mais cosmopolita da Europa, significa uma miríade de restaurantes com pratos exóticos e, regra geral, a preços proibitivos! Felizmente tínhamos comido grandes e deliciosos brownies de chocolate no Borough Market e num dos inúmeros Starbucks...

À noite, depois de descansarmos um pouco no nosso quarto de hotel, descemos até à proximidade da Câmara Municipal e tirámos umas fotografias perto do rio. Instalara-se um frio desagradável a prometer um sábado verdadeiramente londrino, pelo que retornámos rapidamente ao quarto. No dia seguinte haveria mais.