Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Fevereiro

O mês é novo. O mundo é o mesmo. Os dias estão maiores e as noites mais curtas. O mundo é o mesmo. O sol estabelece o seu zénite num ponto paulatinamente mais afastado da superfície terrestre. O mundo é o mesmo. Nasceu-se e morreu-se. O mundo é o mesmo. Mais um dispensável ataque suicida e outra inconsequente missão de paz. O mundo é o mesmo. Mais um sorriso e mais um pungente pranto. O mundo é o mesmo. Flores a desabrocharem numa orgia de cor e vida. O mundo é o mesmo. Palavras por dizer e locuções em excesso. O mundo é o mesmo. Saúde e doença, amor e ódio, existir e ser. Que interessa? O mundo é o mesmo.
E eu, atolado na areia movediça que é escombro de projectos perdidos e frustrados, também eu sou o mesmo. Também eu continuo perdido no caminho que já não sei traçar, também eu sou o mesmo. Sorrio pontualmente para ocultar mágoas intimidadas e choro lancinantemente para exibir alegrias que teimam em não despontar, também eu sou o mesmo. Eu, que saúdo Fevereiro com o mesmo esgar de indiferença com que acolhi Janeiro de um ano "novo", também eu sou o mesmo.
Tudo o que nos é novo é, inerentemente, obsoleto. Porque já alguém o viveu. Já alguém o inventou. Já alguém o convencionou. Já alguém o descreveu. Já alguém o pintou com as mais belas cores da natureza. Já alguém o pensou.
Fevereiro.
O mundo é o mesmo.
Também eu sou o mesmo.
Já alguém o pensou?

("Sou o mesmo" é como quem diz: tenho uma barba enorme. O meu avô diz que pareço o Vasco da Gama. E o servidor está uns minutos atrasado: na verdade, já estamos em Fevereiro...)

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

A opinião do Professor José Hermano de Saraiva

Pois é, meus amigos: ainda em relação ao meu livro, e para minha grande felicidade, o ilustríssimo senhor Professor José Hermano de Saraiva teceu uma crítica absolutamente fantástica àquilo que escrevi! Podem conferir o texto da carta AQUI !

E deixo-vos o scan da primeira página da carta do Professor, para verificarem a genuinidade daquilo que publiquei no meu outro blog:




Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

1000 visitas!



Em 64 dias, este blog atingiu o marco das 1000 visitas únicas! Isto dá uma média de quase 16 visitas únicas por dia - ou seja, se excluirmos as 8 horas de sono de que um ser humano necessita em média, há por aqui um leitor por hora!

Muito obrigado por este registo simbólico e feliz na história do blog!

Domingo, Janeiro 14, 2007

A constatação dos óbices do caminho


Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

A metáfora do buraco !

Ontem, um amigo meu exibia a seguinte foto no MSN Messenger:

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A minha mente pensante viu quase instantaneamente nesta imagem uma metáfora da vida. Uma metáfora que, longe de ter sido verde como um green de golf, foi quase tão negra como breu. E não me coibi de comunicar ao meu amigo o que esta bolinha branca junto a um buraco me inspirou a pensar:

- Bela metáfora que escolheste! Quando olho para essa imagem, vejo o seguinte: um projecto de felicidade há muito (e muito) ansiado que foi quase concretizado, mas que acabou por ser irremediavelmente falhado por centímetros. São os fracassos que mais custam: aqueles em que só sobra a amargura de um "quase" contumaz que não se converteu em "sim", bem como a certeza do "nunca mais"...

E ele respondeu-me de uma forma deveras inteligente (até fiquei admirado com a sua perspicácia!):

- Estás a ver mal! A bola, naquela posição, está a uma tacada, a um put, do objectivo da felicidade que vês representada por aquele buraco! Só depende de ti fazer a próxima jogada para atingires o teu almejado fim, para chegares ao clímax do teu caminho para a felicidade!


A conclusão do meu amigo fez-me reconsiderar e achar uma moral da história:

Basta ter um bom taco - e saber usá-lo - para acertar no buraco e, dessa forma, ser feliz!!!

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

A infelicidade como força criadora (I don't like mondays!)

Aplaudo quem consegue fazer do trauma e infelicidade de uma segunda-feira um momento musical de rara beleza. Aplaudo o senhor Bob Geldof (que merece um post em sua honra pela iniciativa do Live Aid, em 1985, de que ele foi mentor). Quanto a mim, vou deixando que o dia se escoe, qual torrente ténue de água tépida, por entre as brechas de horas mal vividas. E não, não vou fazer desta segunda-feira um hino: até porque não há nada para cantar, até porque não há nada para contar.

I don't linke mondays (tell me why!)! I don't like mondays (tell me why!)!I wanna shoooooooot the whole day down!...

Felicidade masoquista

Para os dias de raiva, uso o post anterior.

Para os dias de baixa auto-estima ou de tendências masoquistas, uso este!

Domingo, Janeiro 07, 2007

O prazer de despejar a raiva

Há dias em que nos apetece destruir tudo em nosso redor, em que só com o caos e o despejar de toda a nossa agressividade (in)contida é que nos conseguimos sentir minimamente felizes!

Para esses dias existe este site. Através dele, podem divertir-se a atirar tomates, tartes, lasers e muitas outras coisas desagradáveis a páginas da internet que não apreciem propriamente. Deixo-vos aqui algumas sugestões:

Clube de futebol que não consigo referir 1 - yuk!

Clube de futebol que não consigo referir 2 - a descrição do jogo da Taça (e viva o Atlético de Alcântara!!) é, no mínimo, ridícula! Nunca vi um site tão tendencioso como o destes "senhores"...

Uma claque pela qual nutro um ódio especial

Idem - se bem que, pela anterior, o sentimento é bem mais forte por certos e determinados motivos...

A coisa mais ridícula da televisão - rifixe!!

Enfim... Há dias de cão!...

Sábado, Janeiro 06, 2007

Rudy ou a procura da felicidade na vida

Ao som de Rudy, dos Supertramp. Porque, de há muito tempo para cá (talvez desde Abril de 2006) me sinto consistentemente como o Rudy...



Rudy embarcou num comboio sem destino que já ia a meio caminho para o seu ignoto fim. Mas Rudy não quer chegar lá. Não, Rudy não quer chegar a lado nenhum. Ele precisa é de tempo, ele precisa é do tempo: do tempo que nunca teve para viver, do tempo que nunca teve para amar, do fero e áspero Tempo que, avolumando-se inexoravelmente num infindável suceder de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, nunca lhe deu tempo - a ele, Rudy - para viver.


Rudy não entende como nunca amou. Rudy não percebe como nunca viveu. Segue sozinho - mas sempre acompanhado pela sua ignorância e pela modorra que o invade e lhe tolhe os impulsos vitais - na carruagem da terceira classe. E segue só porque todas as outras pessoas estão um ou dois passos à frente dele, uma ou duas classes acima, em vagões confortáveis e modernos, em vidas completas e felizes...


"Porquê?", pergunta-se Rudy, "Porquê?". Será por ser gordo? Será por ser feio? Será por não ter tentado o suficiente? Será por ter tentado demais? Rudy precisa de tempo, daquele tempo que sempre esbanjou sem nunca ter. Precisa de tempo para viver. Precisa de tempo para procurar respostas, para solucionar o enigma da vida. E, por isso, Rudy segue sozinho naquele comboio sem rumo nem destino - não pela ânsia de saber o que está no término da linha, mas pela sofreguidão de descobrir o que ficou para trás, de vislumbrar e viver aquele doce segredo do mundo no qual só ele nunca reparou, no qual só ele nunca almejou agarrar...


Rudy pensava que todas as coisas boas da vida acabavam por encontrar, com naturalidade, aqueles que por elas sabiam esperar. Mas, recentemente, Rudy descobriu que essas coisas boas podem chegar demasiado tarde... É tarde, já é tarde para ele! E o comboio corre célere, num perpétuo movimento eléctrico e mórbido...


Subitamente, Rudy sentiu todos os assentos vazios, todas as janelas embaciadas, todas as juntas metálicas e todas aquelas envolvências inertes a acossá-lo em uníssono:


"Em toda a tua vida, em todos estes anos,
Nunca viveste, nunca amaste!
Apaga a luz, porque os teus sonhos são negros
Como o azeviche que dá cor às tuas lágrimas!
Que conselho sensato estás à espera de ouvir?
Será melhor esperar por ele? Ou será melhor viver?
Aprende a ganhar controlo!
Aprende a viver a tua vida!
Aprende a sonhar o teu sonho!
Aprende a lutar pela tua demanda!
Tens que sair desse infinito torpor
Para descobrires o sentido da vida,
Para apreciares o sabor do amor!"


Por entre inintelígiveis sons que insistiam em atiçar Rudy, o comboio chegou, enfim, ao término da sua jornada. Rudy saiu da carruagem, ainda cambaleante, ainda atordoado. A retrospectiva da sua desditosa vida arrebatou-o, fê-lo pensar demoradamente. Mas Rudy sabia que essa viagem não mudaria nada. Rudy sabe que, mal o comboio regresse, voltará a seguir viagem nele, num nefasto ciclo vicioso que o corrói por dentro, que o mata a cada passo, a cada zunido dos gonzos das carruagens. Não há escapatória: e o funesto som do comboio já se faz ouvir, ao longe, como se viesse dos confins do mais dantesco pesadelo, o pesadelo a que Rudy chama vida...

Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

55

Não tenho nada para dizer neste quinquagésimo quinto post, excepto anunciar o meu apreço pelo número 55. É uma capicua, e eu sempre gostei de capicuas. É uma capicua com dois cincos, e eu sempre gostei de cincos: ora digam lá que não era motivo de felicidade vê-los na pauta do 5º ao 9º ano (e de infelicidade, caso surgissem do 10º em diante...)!...
...ora aqui está mais um reflexo daquilo que tão categoricamente afirmei no post anterior - a minha perda de capacidades criativas e literárias. Até já me dou ao luxo de publicar um post sobre o facto de gostar de capicuas! Isto é grave, meus amigos: por favor, internem-me!!

Mais preocupações ...

Longe vão os tempos em que eu escrevia posts reflexivos, como o do Gandhi. Será que perdi irremediavelmente a minha parca capacidade reflectiva durante as férias de Natal?
Isto é deveras preocupante: se me tirarem a (pouca) eloquência que ainda conseguia ter, não me sobra nada. E uma pessoa sem nada é um cadáver em perspectiva. Bela perspectiva, a minha. Como é que me hei de concentrar em seguir o caminho para a felicidade se já nem consigo escrever sobre ela, se já não sou capaz de pensar nela, de acreditar nela?
A perda de qualidade dos meus posts é reflexo da caducidade da minha vida e da decrepidez da minha imaginação. E é triste verificar isto, até porque este "ano novo" não parece estar a conceder-me nenhuma "vida nova"...
(além do mais, os exames estão aí à porta e eu ainda não estudei nada este ano, mas não digam isto a ninguém...)

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Tive pena ...


Este rapazinho pediu-me para o adicionar no hi5 porque, segundo a sua página de perfil (da qual podem visualizar um print-screen clicando na imagem em epígrafe), tem "zero amigos"! E eu tive a chance de poder ser o primeiro amigo dele! :)
Tive pena, a sério: ainda eu me queixo de que sou um tipo pouco popular! Ainda eu me queixo de que sou infeliz!...

52



É isso: sigam o conselho do chef santomense João Carlos Silva e do seu adorável peixinho-voador (deve ser ele o famoso Kalú, com quem João não se cansa de falar no seu programa "Na Roça com os Tachos"!)
Bon appétit!

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Ano do Porco

Segundo o calendário chinês, 2007 é o ano do simpático porquinho.



O paradoxo nisto do "ano chinês" é o facto do calendário que eles supostamente seguem ser lunar (e não solar, como é o nosso calendário gregoriano). Ou seja, os anos chineses nunca começam no dia 1 de Janeiro, mas sim entre o final de Janeiro e meados de Fevereiro. Este ano, segundo li algures, o ano chinês apenas se principia a 12 de Fevereiro.
Portanto, é errado afirmar-se que este é o Ano do Porco, porque os primeiros 42 dias do ano ainda pertencem ao Ano do Cão! Serão estes dias iniciais filhos de um sol (ou de uma lua, não esquecer que os chineses seguem os ciclos da lua!) menor?
Enfim, mas se esta história de anos dedicados a animais os faz felizes, quem sou eu para os questionar? Até porque, a mim, isto dos novos anos nem me aquece, nem me arrefece. Afinal, não passam de convenções...