Fevereiro
O mês é novo. O mundo é o mesmo. Os dias estão maiores e as noites mais curtas. O mundo é o mesmo. O sol estabelece o seu zénite num ponto paulatinamente mais afastado da superfície terrestre. O mundo é o mesmo. Nasceu-se e morreu-se. O mundo é o mesmo. Mais um dispensável ataque suicida e outra inconsequente missão de paz. O mundo é o mesmo. Mais um sorriso e mais um pungente pranto. O mundo é o mesmo. Flores a desabrocharem numa orgia de cor e vida. O mundo é o mesmo. Palavras por dizer e locuções em excesso. O mundo é o mesmo. Saúde e doença, amor e ódio, existir e ser. Que interessa? O mundo é o mesmo.
E eu, atolado na areia movediça que é escombro de projectos perdidos e frustrados, também eu sou o mesmo. Também eu continuo perdido no caminho que já não sei traçar, também eu sou o mesmo. Sorrio pontualmente para ocultar mágoas intimidadas e choro lancinantemente para exibir alegrias que teimam em não despontar, também eu sou o mesmo. Eu, que saúdo Fevereiro com o mesmo esgar de indiferença com que acolhi Janeiro de um ano "novo", também eu sou o mesmo.
Tudo o que nos é novo é, inerentemente, obsoleto. Porque já alguém o viveu. Já alguém o inventou. Já alguém o convencionou. Já alguém o descreveu. Já alguém o pintou com as mais belas cores da natureza. Já alguém o pensou.
Fevereiro.
O mundo é o mesmo.
Também eu sou o mesmo.
Já alguém o pensou?
("Sou o mesmo" é como quem diz: tenho uma barba enorme. O meu avô diz que pareço o Vasco da Gama. E o servidor está uns minutos atrasado: na verdade, já estamos em Fevereiro...)
("Sou o mesmo" é como quem diz: tenho uma barba enorme. O meu avô diz que pareço o Vasco da Gama. E o servidor está uns minutos atrasado: na verdade, já estamos em Fevereiro...)
1 Comments:
Obrigado pelos comentários tão positivos aqui deixados! Uma boa semana para si também! :)
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