Aforisma segundo - O caminho é uma rampa

Sim, porque a felicidade está no topo de um caminho ascendente e contínuo, no qual enveredamos irremediavelmente desde que nascemos.
E porquê esta analogia? Porque a busca pela felicidade é um processo contínuo em que entramos no momento do nosso nascimento e que realizamos inconscientemente a cada instante, a cada respirar, a cada passo titubeante em direcção ao desconhecido. E, tal como acontece numa rampa muito inclinada, se um vento forte e adverso soprar na nossa direcção, é possível que nos desequilibremos e que rolemos inexoravelmente rampa abaixo até ao ponto de partida, caso ainda não tenhamos noções de equilíbrio. Aí, é necessário reequilibrarmo-nos prontamente, adquirir novamente a posição erecta e retomar a marcha com mais ânimo do que anteriormente - porque se há algo que os ventos adversos nos podem conceder, é a experiência e a força para enfrentarmos uma realidade potencialmente má: esse vento que inicialmente nos derruba e nos incita a fechar os olhos, acaba, em última instância, por nos ensinar a abri-los perante as vicissitudes da vida.
É preciso rolarmos algumas vezes rampa abaixo para que aprendamos a erguer-nos (cada vez com menos mazelas) e a subi-la, porque só assim será possível atingir-se aquela Felicidade que nos parece fugir invariavelmente. Mas a rampa não é infinita, e o seu topo está à distância de mais uns passos, de mais uns ventos adversos, de mais umas brisas favoráveis, de mais um esforço, de mais um cair e levantar do chão...
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