sexta-feira, abril 06, 2007

70

Amordacei a minha caneta e embarguei a minha ânsia de felicidade.
Nihilismo estóico-depressivo. Nihil obstat. Hodiernamente, prostro-me numa obsoleta cadeira de ráfia e, por entre trejeitos de tédio e indolência traduzidos em bocejos arrastados e indelicadas eructações, observo-me lá em baixo a correr, lépida e jovialmente, para um precipício sem fundo. Solto mais um bocejo e mudo de canal. Esgotou-se-me o batido de morango. Na verdade, também não gosto de batido de morango - aprazer-me-ia mais se tivera sido de manga.
Laivos de mim, nada mais que laivos de mim. Abri de par em par os portões da minha vida ao meu Eu-sádico no exacto momento em que o meu Eu-suicida corria para o seu almejado fim. Face a isso, o meu Eu-estóico espreguiçou-se na cadeira, sonhando que o fazia num leito real, enquanto o meu Eu-nihilista encolheu os ombros e fechou os olhos, recordando por entre sorrisos nostálgicos a frase final do imortal sketch "Mahna-Mahna", dos Muppets:
"-The question is: WHO CARES???"
(e o meu Eu-depressivo ganha forças nos recônditos negros dos sonhos do Nihilista que reside em mim...)