Estou a ficar velho ...
Hoje dei-me conta da inexorabilidade da marcha do tempo. E esta inaudita descoberta tomou lugar num espaço que me é familiar: a sala de computadores/auto-aprendizagem da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Estava confortavelmente sentado em frente a um computador, dando asas à arte milenar do ne-rien-faire, quando uma colega do primeiro ano, por desleixo ou malícia, desligou o meu computador: talvez pensasse ela, na sua inocência de bicho caloiro, que estaria a ligar o computador que repousava ao lado daquele de que eu me apoderara (cujo monitor, por sinal, nem se encontrava conectado a nenhuma torre - só uma caloira para não reparar nesse erro primário... Bem, mas há que se ser condescendente para com tais criaturas!). Ao dar-se conta do que acabara de fazer, virou-se para mim e começou, atrapalhada:
"Desculpe, foi sem querer, se calhar estraguei o seu trabalho, queira desculpar..."
E eu, todo apaziguador, a afiançar-lhe que não tinha estragado nada, que eu só estava ali para me distraír um bocado, apesar do calor que se fazia sentir... Sim, calor, porque embora lá fora estivesse um frio glacial, o ar condicionado estava ali, mesmo atrás de mim, ligado na temperatura máxima! Face a isso, foi uma expedita caloira (estas criaturas surpreendem-me, às vezes têm mais capacidade de sobrevivência do que um quartanista como eu!) que se levantou, acercou-se de mim e regulou o termostáto do A/C. Ao verificar que eu observava o que ela fazia, falou-me:
"Está muito calor, vou baixar a temperatura, se depois se sentir incomodado aumente um pouco a temperatura, pode ser?"
E eu, "pode ser, sim, obrigado!".
E agora pergunto-me: como posso eu prosseguir a minha ingénua e pueril busca pela felicidade, aquela felicidade que só se encontra na idade em que ainda não há responsabilidades...
...quando até os próprios colegas de "escola" já me tratam por VOCÊ???
(e eu até já tenho alguns cabelos brancos...)
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